Anomia – Lost in Translation 7.0
Cinema, Viagens, Poesia, Direito, Música etc e tals-
Nascida para Brilhar – Musa do Anomia
Posted on janeiro 11th, 2010 8 commentsRenata Davies – Este post, nominado em paráfrase ao filme de Kubrick (Full Metal Jacket), é para homenagear uma das entidades de luz que conheci pelo Twitter. Já tinha escolhido que ela seria a próxima Musa do Anomia, mas a falta de tempo causou a demora, embora a escolha já se dera desde o primeiro “hello” (citação cinematográfica necessária a Jerry Mcguire): minha amiga Renata Davies, ou, para os mais íntimos, Renata Locutora.
Antes de mais nada, apresento a Renata para os leitores do blog, alguns que não se deslumbram com o Twitter: além de linda, gente boa e muito sangue “baum”, essa carioquinha iluminada também tem um desses talentos naturais para a comunicação. De onde mora e dispondo atualmente apenas de um único palco (um pequeno quarto onde repousa seu computador, uma bicicleta ergométrica e muita simpatia), a adorável Renata enfrenta os problemas do dia-a-dia, na comunidade onde vive no Rio, muito embora alguns desavisados possam confundir-lhe a tez clara e os olhos idem de mais uma habitante da gloriosa zona sul carioca. Do pequeno quarto, portanto, nossa musa se comunica com o mundo, distribuindo afagos e tiradas impagáveis através do seu Twitter.
Ela também me confunde a mente, ao dissecar nossa já não tão imberbe língua portuguesa, criando e reverberando vernáculos preciosos, mesmo que limitada aos 140 espaços que a mídia social mais badalada do momento permite. Nossa musa também canta e encanta muito. Não exagero ao dizer que, do alto de onde mora, a amiga Renata destila sua genialidade em forma de desabafos para o seu Braseeeew antropofágico, ironias e frases cujo norte maior é sempre o bom humor.Foi das poucas pessoas com quem conversei um papo interessante que valsou de música clássica, popular até mesmo os filósofos alemães, onde ela me surprendeu falando de cátedra sobre um dos meus prediletos, Arthur schopenhauer. Só a dor é positiva, não é Renata?
Mea máxima culpa, confesso, visto que ao conhecê-la, quase me deixei levar pela armadilha de julgá-la pela beleza, como se a “culpa” da beleza exterior que a natureza lhe deu, fosse dela. Não sucumbi, pois em poucas palavras já lhe desvendava a riqueza balzaquiana de uma alegria e sapiência contagiantes.
Seu maior sonho, não aconteceu ainda - lamento aqui também com uma certa melancolia de quem torce pelos amigos - era o de despontar no maior reality show que estas terras tupiniquins conhecem: o BBB da Globo. Não foi desta vez, mas também sei que Renatinha nasceu para brilhar. Pena que esta edição tupiniquim do BBB não contará com uma de suas personas mais instigantes. Não importa, um dia ela chega lá!
Ave, Renatinha!
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Amor Sem Escalas – Uma Crítica
Posted on janeiro 11th, 2010 No commentsUp In The Air(2009) – Os leitores deste Anomia logo irão entender que o simples fato de retornarmos às críticas de cinema, já denota que um filme me chamou – e muito – a atenção. Pois bem, Amor Sem Escalas, um drama que estréia daqui a pouco no Brasil, foi sujeito de mais uma identificação com a telona.
No filme, um executivo (George Clooney) de uma empresa de downsizing, cujo mister principal é demitir as pessoas por todo os EUA, vive mais tempo em trânsito do que na própria casa. Em uma das cenas ele confessa sem esconder um certo orgulho, que no ano anterior passara 322 dias viajando, sendo apenas 43 em seu domicílio oficial, em Omaha. No papel desse sujeito aparentemente insensível, Clooney faz um de seus melhores papéis, numa simbiose perfeita formada por roteiro, direção e atuações perfeitos. Ao lado de Clooney, merece destaque também a jovem atriz vivida por Anna Kendrick, que merece igualmente ser lembrada na hora das indicações que o filme há de merecer.
O filme já seria interessante ao ter como pano de fundo uma personagem cujo maior desejo é um cobiçado cartão dado a quem acumula 10 milhões de milhas pela American Airlines. Merchandising à parte, numa cena que somente os que viajam bastante entenderão com mais precisão, discute com outra viajante quais os méritos dos cartões de milhagem que possuem, num anteparo meio absurdo para uma paixão que pode surgir entre eles a partir da identificação mútua com a vida em trânsito.
O Diretor, que já brilhou com o aclamado June, é o canadense Jason Reitman, também um dos roteiristas, e que novamente se firma como um dos melhores de sua geração. O toque certeiro com que dirigiu do experiente Clooney à jovem Kendrick denotam sua capacidade para extrair a maior sensibilidade possível, mesmo em situações que beiram o absurdo.
Absurdo, aliás, é um dos componentes do filme. A solitária personagem central de Clooney em Amor Sem Escalas se vê ameaçada pela jovem colega (Kendrick) a quem terá que treinar, numa época de crise nos EUA e pródiga em demissões. O negócio da empresa deles, aliás, só cresce em tempos de crise, um paradoxo que já pontua bem o filme desde o início. Além disso, palestras de motivação, onde se apresenta apenas com sua modesta mochila de viagem, é uma das tarefas que mais apetece nosso antiherói moderno, que dentre hábitos espartanos destaca que a família é um acessório inútil para quem deseja enfrentar o ambiente hostil dos negócios. E é justamente esta velha dicotomia entre família e trabalho que inicia o principal conflito do filme, o que não caberia contar agora a fim de não estragar os desdobramentos de um miniespetáculo saboroso.
Aos que vez e outra se jogam no mundo e ficam sem saber ao certo qual o seu domicílio, é um filme imperdível. Aos demais, também.
Post Scriptum: qualquer semelhança entre Amor Sem Escalas e Lost in Translation de Sofia Coppola (outro predileto deste redator), acredite, não será mera coincidência
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Twittess no BBB
Posted on janeiro 7th, 2010 6 comments
A nação do Twitter no BBB10 – E a Twittess hein? Está no BBB10 e ainda incomodando muita gente que acreditava que dominava as tais mídias sociais. A menina Tessália, de quem já falei um bocado antes e já tive o prazer de ajudá-la, na qualidade de consultor jurídico, a ter de volta a sua conta no twitter (mais detalhes vejam aqui ou aqui), uma tuiteira acidental que virou “estrela”, desde os primórdios (meses atrás para os tempos do twitter) já era incômoda para alguns dinossauros binários. Agora, acredito que mais ainda. Me orgulho da moça e de ter participado de alguma forma para que ela retornasse com seus milhares de seguidores, incólume, à sua conta famosa no Twitter que fora hackeada, quando alguns se apressaram em jogar-lhe a primeira pedra. Nada, entretanto, que fique invisível ao direito eletrônico (pena que muita gente ainda ache que a internet seja terra de ninguém). Enfim, vai ser um sabor a mais ver uma tuiteira em meio ao jogo pesado do reality da Globo. Aliás, o Twitter consegue ser mais casca grossa ainda. Acho que a Tess vai tirar de letra…
Post Scriptum: alguns “dinossauros” no bom sentido, como o amigo e contemporâneo Edney “interney” Sousa, são bem mais inteligentes quando se trata de gente nova nos (igualmente novos) meios sociais da internet. O Edney não apenas usa como também assume que sempre que pode “infla” os seus seguidores com as ferramentas que encontra disponíveis. Ao contrário de alguns outros “puristas” que se incomodam tanto quando aparece um ilustre anônimo (em termos virtuais) com algumas dezenas de milhares de seguidores, como se o Twitter e outras brincadeirinhas virtuais fossem propriedades, uma espécie de feudos tecnológicos de poucos.
A esses, a caravana passa graciosamente enquanto ladram, ladram, ladram…
E La nave va…
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Reticências…
Posted on janeiro 5th, 2010 6 commentsMais um ano que passa. 2009 já se foi, sendo que um dia desses eu estava contemplando a tal chegada do novo milênio. Aliás, se observarmos bem, a primeira década deste primeiro século de um novo milênio, passou por nós como um flash.
Dia desses eu estava observando chegar o ano 2000 e agora já estamos em 2010. Ano que é referência a outro filme que não foi do Kubrick, mas pelo menos é tido como continuação do clássico 2001, Uma Odisséia no Espaço.
2009 marcou o ano que me despedi de São Paulo. Foi duro, só hoje consegui postar sobre meu adeus à maravilhosa Sampa de minha vida. O fechar de portas no último dezembro foi um ritual de passagem importante para mim. Acho que não foi por acaso que resolvi voltar de carro, o que ainda há de render um post próprio pela emoção da viagem, enquanto eu deglutia a separação com a melhor metrópole da América Latina. Até hoje, mesmo a tendo contemplado do avesso do avesso, ainda não a decifrei por completo. Acho que são poucos, mas o início de tudo é entendê-la diversa e completa na diferença. Lá, imagino que o Ibirapuera deve estar lindo em meio ao caos de sempre.
Sempre começo o ano de forma lenta. 2010 não está sendo diferente. Uma ressaca que extrapola as comemorações de final de ano e o medo que atinge alguns com a chegada de mais um ano novo. Na verdade é cansaço mesmo às tantas inquietudes da vida. Nada que um bom filme ou um bom livro à noite não resolvam.
Fui ao mar. Al Mare de Fortaleza. Dia espetacularmente claro, sol implacável. Boas companhias. O verde mar alencarino como testemunha, além da brisa gostosa que só o Ceará tem. Energias recarregadas, isso é bom.
O ano começa com uma interrogação grande escrita nas dunas. Algo indecifrável ainda. O que é certo, penso, é que em nossas vidas temos uma grata liberalidade de termos a agenda em branco. Mesmo que tentemos escrever algo, ondas e mais ondas podem apagar tudo num átimo. Minha agenda, em que pesem compromissos profissionais e outros nem tanto, continua indelevelmente apagada. Vai sendo escrita a cada dia, a cada hora. O céu é o limite nosso de cada dia. Saibamos utilizar isso com mais sabedoria.
E La nave va…
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Descompasso
Posted on dezembro 8th, 2009 No commentsRetratos da Vida – Meu pensamento trafega entre os ares cálidos alencarinos e os pampas do Sul. Minha alma acompanha, e pensa nos verdes mares, nos verdes campos, nos verdes olhos da mulher que mira à distância minha íris, distantes. À mesma cor que percorre de cor os mares de minha terra. Se há mares, se amares…
Em tantas planícies, em tantos lugares, alhures, algures, algozes de minha alma que ruma errante nos cantos do mundo, teus olhos inebriantes me dissipam a noite de “fog” e a dor lancinante.
No vídeo, Claude Lelouch baila sua arte à sétima proporção dos acordes de Ravel, Retratos da Vida me emociona os olhos cansados, notívagos, tristonhos. Um Bolero ao fim da noite me faz lembrar de você, enquanto minha saudade vaga, clemente, entre os mares do norte e os pampas do sul, sem norte ao sul, quiçá, assaz de sorte ao norte, tão cru. Le Grand Cru et mon amour, ne pas possible…
A vida claudicante, errante, nascente e crescente, trafega entre nossos polos, mas de tudo que me aflige a alma que escorre pelas ladeiras da Liberdade paulistana, somente me aguça a curiosidade o refletir no porquê de meu sono perder o rítmo às noites, ao ver em sonho o verde de teus olhos indecentes.
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Retalhos Esquecidos
Posted on novembro 29th, 2009 1 commentLetras Esquecidas – Novamente em Sampa, após uma breve incursão a Fortaleza. No retorno, arrumando a mochila e à procura do Passaporte, encontrei alguns retalhos poéticos, escritos há quase quatro anos, em solo Asiático. No meio das duas páginas, idéias que utilizei para um post publicado aqui mesmo, em Fevereiro de 2006 e outras idéias que não mereceram mais atenção. Uma das poesias, poderia ter sido publicada, coisa que o farei agora, até porque já atingida pela preclusão do tempo que opera em todos os corações mais do que a mudança do rítmo cardíaco.
Um Acróstico Perdido no Tempo
Juntas meus versos em retalhos
Olhar-te-ei a beleza distante
Singras à cor da tela amarela
Irradias mil sóis, nau errante
Nasce dos belos olhos de menina
Esta poesia que partiu há dias
Senhora do meu amor de antes
Escrito em Seoul, no adormecer do inverno de 2006
01/02/2006
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Poli Sans Grafia
Posted on novembro 18th, 2009 4 commentsPoli sans grafia. Polissonografia.
Sono, sonho. Na antiga grécia, ágora de Deuses, reinava Morfeu.
Deus dos sonhos. Uníssonos, sonhos. Unidos no sonho.
Na grafia do exame, meço meus sonhos. À mente, não mente.
Na mitologia não sou ateu. Sonolentamente.
Em meus sonhos você apareceu, sorrateiramente.
Panis et circenses. Não, obrigado. Digo educadamente.
Em meio às tantas cifras e relituras, traduz meu sono, somente.
Explicadamente, diz que só eu, sonhei. Sorrateiramente.
Em meio às tantas crifras e releituras, eu vejo teu rosto.
Despudoradamente, no sonho que tive ao sono, sozinho.
Polianamente, tu surge em meu solo, solitariamente.
Teu lindo rosto, marcado para sempre, num exame.
Éter na mente, eternamente. Poligrafias em meu sono, sonho.
Sonho, sono. Na antiga grécia, ágora de Deuses, reinava Morfeu.
Poli sans grafia. Polissonografia.
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Sangue, Suor e Lágrimas Alvinegros
Posted on novembro 15th, 2009 6 commentsTiquinho Voltou ao Gramado do Castelão – Um jogo suado, esquisito, brigado. Lá estava o meu Ceará, lutando para, finalmente, voltar de onde não devia ter saído nunca. Quase duas décadas depois, o bravio time alvinegro enfrentava o Guarani de Campinas, em solo alencarino, para garantir o acesso à primeira divisáo do Brasileiro.
Não preciso dizer do meu amor pelo alvinegro, já estampado aqui neste blog por várias vezes. Dele já fui dirigente, advogado, além do torcedor e conselheiro que sou até hoje. A lembrança de torcer Ceará dista do ano de 1978, então com seis anos, quando lembro que meu pai desfilou comigo na sede Central de Fortaleza, do extinto BEC – Banco do Estado do Ceará, quebrando os protocolos normais que me iluminavam a doce infância. Eu, com a camisa do Ceará, carregado em seus ombros. Não existia cansaço nem tempo ruim, principalmente nos ombros de meu pai, daquele momento ímpar que foi talvez o definitivo pelo amor ao Ceará. Andamos pelas ruas do Centro até chegar na agência onde ele trabalhava, saudando os torcedores e brincando com os adversários, no dia seguinte à conquista do título Estadual de 1978. Meu pai, mais do que feliz e irradiante pelo Tetracampeonato do Ceará, incansável na celebração da vitória, carregou nos ombros, além do próprio filho, um amor que nem mesmo a gente consegue explicar bem até hoje. Até ali, embora o título de 1915-1919 já tivesse sido conquistado, ainda não restava homologado, coisa que só foi no ano passado. Aliás, de cuja tarefa me orgulho de ter ajudado, ainda como Diretor Jurídico, juntando as documentações necessárias nos arquivos públicos e dando continuidade a um desejo quase secular. Depois coube ao meu sucessor e amigo, de quem me orgulho de ter indicado, Dr. Clarke Leitão, juntamente com outros ilustres colegas alvinegros, o ingresso na Justiça Desportiva para o esperado reconhecimento (mas isto já é outra estória, para outro texto).
Pois bem, naquele ano de 1978, um gol do atacante Tiquinho, deu ao Ceará o Tetracampeonato em cima do maior rival, o Fortaleza Esporte Clube. Daí a importância do Tetra nos meus alfarrábios mentais. Digamos que uma quarta geração de alvinegros (meu avó materno, meu pai, este que vos escreve e meus filhos), já merecia um retorno à Série A do Brasileiro. Aqui mesmo, conversando com meu filho mais velho, no alto, também, dos 06 (seis) anos de idade, ele me perguntava porque o nosso time não enfrentava costumeiramente os times de São Paulo, tão badalados pela mídia. Lembro que por mais que explicasse, não conseguia de fato, nem mesmo apelando ao manco psicológico de que nunca tínhamos caído para a Terceira, estávamos lá “empacados” na segundona. Não, isso não me consolava, muito menos explicava ao primogênito, o porquê de um orgulho bobo de comemorar tanto um não insucesso em vez da sonhada subida.
Falta, claro, o acesso à série A, agora tão próximo, tão ali na esquina. Pois ontem, todas essas emoções me afloraram à pele, aqui nesta distante São Paulo. Em campo, o Guarani e o seu iluminado goleiro Douglas, veio decidido a adiar nossa festa. Estádio lotado, jogadores nervosos, apagões de luz, foi uma partida que teve quase de tudo. Após o segundo gol da equipe Campineira, os temores de que poderíamos continuar na série B, voltaram a me afligir. Alguns torcedores saindo antes do final da partida me deixaram mais apreensivo ainda.
Em campo, dois jogadores que represento, em uma de minhas facetas profissionais cujo amor pelo futebol me levou a misturar-me mais ainda com a maior paixão do brasileiro, ao enveredar também pela profissão de empresário e procurador de atletas. Lá estavam eles: Mota, no ataque, talvez o jogador mais apaixonado por um time que já tive notícia, desde quando o conheci vi que o amor pelo Ceará Sporting Club era também compartilhado por ele, o que foi comprovado agora, quando tinha todas portas abertas, após uma temporada de sucessos em escala no exterior, abriu mão de várias propostas para voltar ao clube de Porangabuçú. Ele, aliás, um dos maiores guerreiros em campo que já pude conhecer. No banco, Arlindo Maracanã, de que admiro tanto a experiência, além da amizade que nutro por ele, não era opção nos planos do treinador Alvinegro naquele momento, embora seja uma arma estratégica quando acionado.
Voltando ao jogo, até o segundo gol do Guarani, portanto, ainda nutria as esperanças, mas já preocupado com o fantasma de mais uma segundona. Até que num lance do ala alvinegro, a bola chutada passa perto de Mota, em direção à meta do Guarani. O chute, nem tão forte assim, precisava de um toque a mais. Mota quase toca nela, mas a pelota passa em direção ao gol. Não sei de onde veio, se veio, mas uma curva mágica, daquelas que times iluminados, só eles tem, fez o quase invencível Douglas deixar passar aquele gol. Empate! Final de jogo com um ponto que certamente será o nosso pontinho da classificação, coroando a fantástica campanha até agora empreendida pelo Ceará. Naquele momento, me veio à mente que se tratava de um verdadeiro gol espírita. No mesmo estádio e gramado que consagrou o herói alvinegro Tiquinho, pensei nele dando aquele toque final de que tanto precisávamos, desviando a bola para dentro das redes adversárias, ajudando mais uma vez o time que tanto amou.
Tiquinho teve um final de vida que não mereceu, muito sofrido, pelo que tive notícia aqui minha temporada paulistana. Mas, nosso herói alvinegro, enquanto viveu, o fez às glórias de seu maior gol em 1978, o mesmo que tanto alinenta a minha lembrança, como a de tantos outros.
Espero que o gol de ontem, tenha sido também o gol da nosa classificação, que há de ser confirmada, quis Deus e o destino, aqui nesta São Paulo, onde se voltarão no próximo sábado os olhos e corações dos alvinegros espalhados pelo mundo. Tiquinho, que você descanse em paz e que nosso glorioso Ceará Sporting Club, o Vozão de Porangabuçu e sua armada alvinegra, conquiste o seu direito de voltar à chamada elite do futebol brasileiro! Ave, Ceará!!!!
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Carta Aberta de um Blogueiro Desconhecido ao Exmo. Sr. Ministro da Educação
Posted on novembro 9th, 2009 4 commentsExmo. Sr. Ministro da Educação, Fernando Haddad
Nestas humildes, porém sinceras linhas, venho lhe dizer da minha indignação, como cidadão, escritor e dono deste bloguinho talvez sem muito valor.
Falo em nome da menininha de vestido rosa de cujo caso já falei aqui antes, neste mesmo Anomia, a qual findou expulsa de sua entidade de ensino superior.
Pelos noticiosos, vejo que se trata de uma moça de origem humilde, como também acredito seja o senhor e a maioria dos que fazem e lutam pela educação em nosso minguado Brasil, cujo Presidente, aliás, tem origem mais humilde ainda, da qual sempre faz – e deve – questão de orgulhar-se.
Não vou esmiuçar sobre o caso em si, ou sobre o que leva as mulheres a se sentirem bem e donas de seu corpo e de suas vidas, em pleno Século XXI. Não acho que seja necessário fazê-lo. Já se vão algumas décadas desde quando as feministas atearam fogo em seus “sutiens”. Já se vão anos e mais anos desde quando a feminilidade era um sujeito obscuro de sociedades patriarcais, nas quais as mulheres se atiravam à frente de cavalos como forma de protesto. Já se vão décadas e mais décadas, desde quando as mulheres, tidas como sexo frágil e burro, não votavam e sequer discutiam política em suas próprias casas. Tanto tempo, também, desde quando as mulheres correram às armas e deram sua vida e sangue, na busca de um mundo menos injusto. Melhor, portanto, não citar ou mencionar o que o Ilustre Ministro já sabe certamente de cor.
No entanto, à beira de mudanças tão paradigmáticas por todo o mundo, de cunho social ou econômico, tendo um País que luta e clama por mais educação e cultura, vemos um caso emblemático como esse da mocinha e seu vestido rosa. Em que pesem as quedas de muitos tabus, me parece que ainda distamos muito da queda de todos os preconceitos. O caso da Universidade onde a menina estudava, e restou agora expulsa, me faz temer pelo nosso futuro.
Sou sincero: Minhas convicções jurídicas nunca apontariam para a vítima como ré. E mesmo que eu restasse pudico o suficiente a fim de me opor às tendências da moda hodierna, essas mesmas convicções que me formaram o estudo do Direito me fariam repensar a decisão utilizada pela Universidade em tela, quando se inclinaram a punir a moça de vestido rosa, em vez de, talvez, pensar num pedido de desculpas, ou, na pior das hipóteses de sua (deles) análise do caso, decidir dar à aluna a mesma pena dos colegas que a maltrataram com palavras e gestos de baixíssimo calão, mas não foram expulsos da Instituição na qual estudam.
Mas não, Senhor Ministro. Fiquei pasmo - e saiba o Senhor, que para tal condição, é preciso de muito à minha inquieta pessoa - com a notícia de que a aluna foi expulsa, num processo que julguei no mínimo sumário, para não utilizar um termo outro, a consagrar melhor minha surpresa ante um caso tão triste e de contornos mediaveis e absurdamente cartesianos desde o seu nascedouro.
Penso, Senhor Ministro Hadad, que vosso honroso mister, do qual nunca duvidei também de suas boas intenções, mormente sendo Ministro de um Governo sempre atacado à pecha de ser guiado por um “analfabeto”, “ignorante”, como fazem tantos ditos letrados em suas preconceituosas e ignóbeis assertivas, pois bem, penso que num País tão carente de educação, esse caso emblemático não deveria ficar incólume às vistas do Ministério que preside. A uma, porque se trata de uma moça que deseja estudar, e lá com suas dificuldades, com seus desejos e direitos de ser mulher num País ainda tão machista, o faz (ao menos fazia antes da expulsão). A duas, quando pensamos que são os tidos como fracos, privilegiados pelo magnânimo Princípio magno da Isonomia, que merecem a atenção maior do Estado. Vê-se, in casu, de um lado, uma aluna agredida dentro de uma Universidade de Ensino Superior brasileira, sendo necessária escolta policial para deixar a referida instituição, sob o risco de uma agressão maior. De outro, alunos que deveriam conter em seus gestos, princípios como o da compreensão, da tolerância, do respeito ao próximo e à diversidade que um Estado como São Paulo abriga, em vez de agirem como se à beira da fogueira de uma Joana D’arc acidental. No meio disso tudo, uma Universidade que tem sua autonomia Constitucionalmente garantida, mas em vez de abrigar ou acolher, decide expulsar a maior vítima do caso, numa época em que nas ruas, nas tv’s, na internet e demais mídias sociais, o combate à censura e a defesa das liberdades individuais são cada vez mais ressaltados, contrários à sociedade que preceituava que toda nudez seria castigada.
Senhor Ministro, nem mesmo os menos crédulos acreditam que uma a Autonomia universitária se coadunaria com desrespeitos a princípios Fundamentais de nossa Constituição. Mais recentemente, já remendamos tantos erros do passado, portanto seria novamente desnecessário dizer que voltar ou criar erros piores resultaria numa péssima idéia.
Por isso, Senhor Ministro, utilizo esse pequeno espaço, a fim de dizer-lhe da excelente oportunidade que vosso Ministério tem, a fim de mostrar que existe sim o interesse do Ministério da Educação em privilegiar a educação (desculpando a aparente redundância), mesmo que seja em detrimento de uma mercantilização em massa que trata pessoas e metas a toque de caixa. Peço em nome dos alunos da dita Universidade, a fim de que aprendam a ter mais tolerância, pois a idéia que se deixou passar após todo esse caso, é de que o mundo seria muito mais feliz se não existissem pessoas como a mocinha de vestido rosa, do mesmo jeito que muitos hoje praguejam um torneiro mecânico na Presidência do Brasil.
Tempo, Senhor Ministro, deve ser mesmo o senhor da razão. Pois acho que ainda o há, seja para reparar um erro, seja para nos educar mais um pouco em nossa ignorância.
São Paulo, madrugada de 09 de Novembro de 2009.
Emerson Damasceno
Blogueiro e advogado
(texto sem a devida revisão à emoção da escrita)
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O Boteco Sujo, os NeoChovinistas do ABC e o Requião
Posted on outubro 29th, 2009 2 commentsBlog – O Boteco Sujo, do qual já falei uma vez antes por estas bandas, é um dos melhores blogs que conheço atualmente. Dele, recebi ontem, via tuit do Gravata, notícia de uma dessas barbáries que a gente só gosta de pensar que existem em Países nos quais o belo e glorioso Ocidente deposita todas suas fichas como sendo o recanto do atraso intelectual: a ver, Irã, Coréia do Norte e congêneres.
Pois bem, aqui mesmo no avançado Estado de São Paulo, numa instituição de nível superior, todo o inconsciente coletivo medíocre e arrraigado em anos de atraso chovinista e preconceituoso, se fez presente, quando uma turba enlouquecida (desculpando a necessária redundância) achincalhou uma aluna, sob o pretexto de que sua indumentária era inapropriada. Aos gritos de baixo calão e demais agressões, a aluna só saiu de lá com escolta policial.Pois bem, serve para analisarmos que tipo de imbecis podem estar a vir para a próxima camada dita pensante em nosso País. Num mesmo País onde a nudez é utilizada de forma simbólica e eficaz como arma de protesto, lá na Uniban atacaram a aluna por estar em trajes alegadamente sumários, como se nossa cultura pop tv não fizesse o mesmo diuturnamente na TV, Cinema, enfim, nas mídias convencionais. Se você, leitor, por acaso recordou agora de Nelson Rodrigues em Toda Nudez será Castigada, não foi mero acaso.
Ora, esses mesmos neochovinistas que quase apedrejaram a menina do ABC, devem ser os mesmos que se esbaldam assistindo às palhaçadas (no melhor e mais sadio sentido da palavra) de Programas humorísticos como Pânico na TV, Casseta e Planeta e congêneres. Estão, então, tendo a opinião formada ou deformada?
Uma humilhação para todos nós, quando em pleno século XXI, como bem observou o Boteco Sujo, criamos uma Joana D’arc tupiniquim, justgamente dentro da Academia, onde seria lá que deveríamos buscar derrubar os muros que ainda existem de preconceito em nossa sociedade. Mas, o que dizer, quando até os Governantes patinam quando o tema é tolerância, como foi o caso do Governador Requião em sua desencontrada “piada” com as Paradas Gay e o câncer de mama? Até mesmo em sua Nota de Resposta (ou Defesa), o Governador não chegou a explicar direito, pois em sua Nota, optou por sair à tangente de dois assuntos sob os quais ainda reina muito o preconceito: o câncer e a diversidade sexual. Poderia ter se desculpado, mas preferiu tentar justificar o erro.
Nessas horas é que todas as diferenças se eliminam: em meio à multidão preconceituosa do ABC oun qualquer outra, não existem ideologias, partidos políticos, sexo, times, centro ou esquerda. Estão todos nivelados, à mediocridade e preconceito. Muitos ainda não devem ter percebido, mas a outra vítima desse vídeo horrendo, além da aluna perseguida pela fúria ignóbil da multidão: é a própria multidão, que conseguiu retroceder às ruínas do Coliseu Romano em poucos minutos, esquecendo de sua condição humana para agirem como meros predadores antropofágicos. Uma lástima…







