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  • Amor Sem Escalas – Uma Crítica

    Posted on janeiro 11th, 2010 emerson No comments

    Up In The Air(2009) – Os leitores deste Anomia logo irão entender que o simples fato de retornarmos às críticas de cinema, já denota que um filme me chamou – e muito – a atenção. Pois bem, Amor Sem Escalas, um drama que estréia daqui a pouco no Brasil, foi sujeito de mais uma identificação com a telona.

    No filme, um executivo (George Clooney) de uma empresa de downsizing, cujo mister principal é demitir as pessoas por todo os EUA, vive mais tempo em trânsito do que na própria casa. Em uma das cenas ele confessa sem esconder um certo orgulho, que no ano anterior passara 322 dias viajando, sendo apenas 43 em seu domicílio oficial, em Omaha. No papel desse sujeito aparentemente insensível, Clooney faz um de seus melhores papéis, numa simbiose perfeita formada por roteiro, direção e atuações perfeitos. Ao lado de Clooney, merece destaque também a jovem atriz vivida por Anna Kendrick, que merece igualmente ser lembrada na hora das indicações que o filme há de merecer.

    O filme já seria interessante ao ter como pano de fundo uma personagem cujo maior desejo é um cobiçado cartão dado a quem acumula 10 milhões de milhas pela American Airlines. Merchandising à parte, numa cena que somente os que viajam bastante entenderão com mais precisão, discute com outra viajante quais os méritos dos cartões de milhagem que possuem, num anteparo meio absurdo para uma paixão que pode surgir entre eles a partir da identificação mútua com a vida em trânsito.

    O Diretor, que já brilhou com o aclamado June, é o canadense Jason Reitman, também um dos roteiristas, e que novamente se firma como um dos melhores de sua geração. O toque certeiro com que dirigiu do experiente Clooney à jovem Kendrick denotam sua capacidade para extrair a maior sensibilidade possível, mesmo em situações que beiram o absurdo.

    Absurdo, aliás, é um dos componentes do filme.  A solitária personagem central de Clooney em Amor Sem Escalas se vê ameaçada pela jovem colega (Kendrick) a quem terá que treinar, numa época de crise nos EUA e pródiga em demissões. O negócio da empresa deles, aliás, só cresce em tempos de crise, um paradoxo que já pontua bem o filme desde o início. Além disso, palestras de motivação, onde se apresenta apenas com sua modesta mochila de viagem, é uma das tarefas que mais apetece nosso antiherói moderno, que dentre hábitos espartanos destaca que a família é um acessório inútil para quem deseja enfrentar o ambiente hostil dos negócios. E é justamente esta velha dicotomia entre família e trabalho que inicia o principal conflito do filme, o que não caberia contar agora a fim de não estragar os desdobramentos de um miniespetáculo saboroso.

    Aos que vez e outra se jogam no mundo e ficam sem saber ao certo qual o seu domicílio, é um filme imperdível. Aos demais, também.

    Post Scriptum: qualquer semelhança entre Amor Sem Escalas e Lost in Translation de Sofia Coppola (outro predileto deste redator), acredite, não será mera coincidência :)

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