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  • Sangue, Suor e Lágrimas Alvinegros

    Posted on novembro 15th, 2009 emerson 6 comments

    Tiquinho Voltou ao Gramado do Castelão – Um jogo suado, esquisito, brigado. Lá estava o meu Ceará, lutando para, finalmente, voltar de onde não devia ter saído nunca. Quase duas décadas depois, o bravio time alvinegro enfrentava o Guarani de Campinas, em solo alencarino, para garantir o acesso à primeira divisáo do Brasileiro.

    Não preciso dizer do meu amor pelo alvinegro, já estampado aqui neste blog por várias vezes. Dele já fui dirigente, advogado, além do torcedor e conselheiro que sou até hoje. A lembrança de torcer Ceará dista do ano de 1978, então com seis anos, quando lembro que meu pai desfilou comigo na sede Central de Fortaleza, do extinto BEC – Banco do Estado do Ceará, quebrando os protocolos normais que me iluminavam a doce infância. Eu, com a camisa do Ceará, carregado em seus ombros. Não existia cansaço nem tempo ruim, principalmente nos ombros de meu pai, daquele momento ímpar que foi talvez o definitivo pelo amor ao Ceará. Andamos pelas ruas do Centro até chegar na agência onde ele trabalhava, saudando os torcedores e brincando com os adversários, no dia seguinte à conquista do título Estadual de 1978. Meu pai, mais do que feliz e irradiante pelo Tetracampeonato do Ceará, incansável na celebração da vitória, carregou nos ombros, além do próprio filho, um amor que nem mesmo a gente consegue explicar bem até hoje.  Até ali, embora o título de 1915-1919 já tivesse sido conquistado, ainda não restava homologado, coisa que só foi no ano passado. Aliás, de cuja tarefa me orgulho de ter ajudado, ainda como Diretor Jurídico, juntando as documentações necessárias nos arquivos públicos e dando continuidade a um desejo quase secular. Depois coube ao meu sucessor e amigo, de quem me orgulho de ter indicado, Dr. Clarke Leitão, juntamente com outros ilustres colegas alvinegros, o ingresso  na Justiça Desportiva para o esperado reconhecimento (mas isto já é outra estória, para outro texto).

    Pois bem, naquele ano de 1978, um gol do atacante Tiquinho, deu ao Ceará o Tetracampeonato em cima do maior rival, o Fortaleza Esporte Clube. Daí a importância do Tetra nos meus alfarrábios mentais. Digamos que uma quarta geração de alvinegros (meu avó materno, meu pai, este que vos escreve e meus filhos), já merecia um retorno à Série A do Brasileiro. Aqui mesmo, conversando com meu filho mais velho, no alto, também, dos 06 (seis) anos de idade, ele me perguntava porque o nosso time não enfrentava costumeiramente os times de São Paulo, tão badalados pela mídia. Lembro que por mais que explicasse, não conseguia de fato, nem mesmo apelando ao manco psicológico de que nunca tínhamos caído para a Terceira, estávamos lá “empacados” na segundona. Não, isso não me consolava, muito menos explicava ao primogênito, o porquê de um orgulho bobo de comemorar tanto um não insucesso em vez da sonhada subida.

    Falta, claro, o acesso à série A, agora tão próximo, tão ali na esquina. Pois ontem, todas essas emoções me afloraram à pele, aqui nesta distante São Paulo. Em campo, o Guarani e o seu iluminado goleiro Douglas, veio decidido a adiar nossa festa. Estádio lotado, jogadores nervosos, apagões de luz, foi uma partida que teve quase de tudo. Após o segundo gol da equipe Campineira, os temores de que poderíamos continuar na série B, voltaram a me afligir. Alguns torcedores saindo antes do final da partida me deixaram mais apreensivo ainda.

    Em campo, dois jogadores que represento, em uma de minhas facetas profissionais cujo amor pelo futebol me levou a misturar-me mais ainda com a maior paixão do brasileiro, ao enveredar também pela profissão de empresário e procurador de atletas. Lá estavam eles:  Mota, no ataque, talvez o jogador mais apaixonado por um time que já tive notícia, desde quando o conheci vi que o amor pelo Ceará Sporting Club era também compartilhado por ele, o que foi comprovado agora, quando tinha todas portas abertas, após uma temporada de sucessos em escala no exterior, abriu mão de várias propostas para voltar ao clube de Porangabuçú. Ele, aliás, um dos maiores guerreiros em campo que já pude conhecer. No banco, Arlindo Maracanã, de que admiro tanto a experiência, além da amizade que nutro por ele, não era opção nos planos do treinador Alvinegro naquele momento, embora seja uma arma estratégica quando acionado.

    Voltando ao jogo, até o segundo gol do Guarani, portanto, ainda nutria as esperanças, mas já preocupado com o fantasma de mais uma segundona. Até que num lance do ala alvinegro, a bola chutada passa perto de Mota, em direção à meta do Guarani. O chute, nem tão forte assim, precisava de um toque a mais. Mota quase toca nela, mas a pelota passa em direção ao gol. Não sei de onde veio, se veio, mas uma curva mágica, daquelas que times iluminados, só eles tem, fez o quase invencível Douglas deixar passar aquele gol. Empate! Final de jogo com um ponto que certamente será o nosso pontinho da classificação, coroando a fantástica campanha até agora empreendida pelo Ceará. Naquele momento, me veio à mente que se tratava de um verdadeiro gol espírita. No mesmo estádio e gramado que consagrou o herói alvinegro Tiquinho, pensei nele dando aquele toque final de que tanto precisávamos, desviando a bola para dentro das redes adversárias, ajudando mais uma vez o time que tanto amou.

    Tiquinho teve um final de vida que não mereceu, muito sofrido, pelo que tive notícia aqui minha temporada paulistana. Mas, nosso herói alvinegro,  enquanto viveu, o fez às glórias de seu maior gol em 1978, o mesmo que tanto alinenta a minha lembrança, como a de tantos outros.

    Espero que o gol de ontem, tenha sido também o gol da nosa classificação, que há de ser confirmada, quis Deus e o destino, aqui nesta São Paulo, onde se voltarão no próximo sábado os olhos e corações dos alvinegros espalhados pelo mundo. Tiquinho, que você descanse em paz e que nosso glorioso Ceará Sporting Club, o Vozão de Porangabuçu e sua armada alvinegra, conquiste o seu direito de voltar à chamada elite do futebol brasileiro! Ave, Ceará!!!!

  • Manhã de Sol no Ibirapuera

    Posted on outubro 24th, 2009 emerson No comments

    The “Beast” is Back – Hoje resolvi tirar a poeira do tênis velho, procurar nas malas as roupas antigas de corrida e me lancei no caminho do Ibirapuera. Não foi um dia qualquer: parque repleto de crianças, casais, muitas mulheres grávidas. Um dia alegre cheio de energia boa mesmo. E a carruagem de apolo surgiu implacável no céu azul que nos vigiava hoje.

    Resolvi em definitivo retornar às caminhadas. Nenhum local me parece melhor do que o Ibirapuera em São Paulo. É o meu remanso (e de muitos paulistanos também. Hoje, nada exagerado, apenas 5k de caminhada/trote, até que a musculatura saiam da inércia de dois anos parados desde a última prova (se não me falha a memória, uma corrida de aventura que fiz com os amigos em Fortaleza, na bela praia da Taíba, logo após o Ironman). De lá para cá, praticamente nada. Mas, enfim, adoro desafios. O meu relógio Garmin 405 Forerunner,  funcionou que foi uma beleza. Maravilhoso equipamento, muito melhor que o 305, já baixei o exercício e fica disponível também a visualização através do Google Earth. Segue uma prévia aqui, onde os mais entendidos verão como dois anos de esbórnia etílica deixam o indivíduo fora de forma. O inverso é maravilhosamente verdadeiro, veremos depois, espero.

    Voltando ao dia de sol, no Ipod muito som que me lembrou a época de treinos pesados do triatlo, para incentivar. Me senti muito bem mesmo. Dá para sentir a simbiose perfeita que a adrenalina e a endorfina fazem na gente. Um dia, cujo roteiro poderia ter sido escrito com o som de Sunking como trilha sonora. Acho que estou de volta! :)

  • #Rio2016

    Posted on outubro 2nd, 2009 emerson 2 comments

    Vídeo Rio 2016 – Lindo…vale mais do que mil palavras, vale pelos 190 milhões de brasileiros:)
    Update: A direção é do brasileiro Fernando Meireles.

  • Olimpíadas no Rio em 2016

    Posted on outubro 2nd, 2009 emerson 2 comments

    Rio 2016

    Rio 2016

    Pelé e Lula

    Pelé e Lula

    Valeu Brasil!!! – O Carro forte dos BRIC’s ganhou a inédita Olimpíada de 2016. Eu, particularmente, quando vi o Obama, junto à primeira Dama dos EUA, Michelle Obama e toda a Trupe dos EUA na eleição do COI, já estava desanimado. Mas, chamem o Lula do que quiserem, menos de não ser um iluminado. Foi um resultado espetacular. Este blog, que desde o seu nascedouro há sete anos, já assume a sua porção ufanista, antes mesmo do Governo Lula (é bom salientar), que é um governo de orientação à esquerda, repete o que sempre diz por aqui: vamos acabar com nosso eterno complexo de viralatas!

    Pelé – O Pelé, aliás, boa parte de nossa imprensa não destacou a frase do Rei, declarou que não se preocupava com o Efeito Obama. “Nós Temos Lula“. Parabéns Rei! Fomos resgatar esta sua frase, com destaque no exterior. Se há méritos de carisma, hão de ser divididos com o atleta do século, sem dúvida alguma, que na campanha corpo-a-corpo em Conpenhague, ofuscou até celebridades que detém mídias diárias bilionárias, como Ophrar Winfrey.

    O Brasil é grande e somos a bola da vez. Devemos nos orgulhar não só destas Olipíadas em 2016 no Rio, como também à Copa do Mundo em 2014, o G-20 (que é emblemático para quem preza geopolítica), a Petrosal, além também de uma posição mandatória nos BRIC´s, FMI, enfim, núcleos nos quais, este que vos escreve, cansou de ver há pouco mais de 20 anos, nossos mandatários entrarem de pires na mão. Todos estes acontecimentos em tão pouco tempo, são demarcatórios aos 500 anos de colonialismo perverso e políticas capitaneadas por governos nem tão comprometidos assim com nossos interesses.

    Todos dizem isto, o mundo agora se curva a nós, falta ainda uma parcela pessimista (que se diz realista mas confunde o tal realismo com um pessimismo oportunista descarado), reconhecer isto também. Não confundamos debate político com entreguismos. Muito menos divergências ideológicas que fazem parte da eterno cenário político (mudarão os personagens, ficará o País), como fomento para voltarmos a pensar pequeno como fazíamos a pouco mais de uma década, quando éramos meros coadjuvantes, e não players respeitados, como hoje.

    E a abaixo algumas fotos com dois importantes cabos eleitorais da disputa:)

    O Rei Pelé e Emerson Damasceno

    O Rei Pelé e Emerson Damasceno

    Emerson e Cielo

    Emerson e Cielo

  • Barrichello, Brawn e Bueno

    Posted on setembro 27th, 2009 emerson 2 comments

    GP de Cingapura 2009 – Para mim, mais uma corrida onde Button, mesmo sem guiar melhor que Rubinho ganhou pela estratégia (ruim) da equipe para Rubens. No final, quando ainda dava para alcançá-lo, a Brawn GP demorou 2 voltas cruciais para lhe informar do problema nos freios de Jason, o que poderia ter possibilitado Rubinho a diminuir a vantagem. Faltam apenas 3 corridas, e não fossem tantos erros grosseiros (ou maldosos) da Brawn, a vantagem seria até maior que 15 pontos, só que em favor do brasileiro. Mas ainda dá, apenas fica mais difícil sem uma vitória no Japão no próximo final de semana, após esta corrida de hoje que terminou com a vitória de Hamilton e Rubinho chegando em sexto, logo atrás de Jason Button.

    Galvão – Não custa nada registrar aqui mais um protesto contra a narração (diria o eterno monólogo Galvaniano). Primeiro porque ele não se deu conta de que o Felipe Massa não está correndo há algumas corridas e não deixa o rapaz recuperar-se em paz. Segundo, que todos sabem que o Felipe está bem, super bem, recuperado etc etc, mas ele tem que reafirmar isto no mínimo umas três vezes por corrida. Mas, enfim, não adianta, ele perde a maior parte do tempo falando disso, como se um brasileiro não estivesse ali disputando o título, vá entender. Pior ainda: na corrida de hoje, depois que a entrada do safety car ajudou nitidamente o inglês Button a aproximar-se de Rubinho, a análise do Massa enviada via SMS foi equivocada, dizendo que teria sido o Rubinho o beneficiado, o que levou o Galvão a tentar de todas as formas explicar o inexplicável, em vez do mais fácil, que seria concordar que o brasileiro teria errado como dublê de comentarista. Menos, Galvão, menos…

  • Valeu Cesão!!!

    Posted on julho 31st, 2009 emerson 1 comment

    Cielo após a conquista do Ouro Inédito nos 100m Livre - Mundial 2009

    A César o que é de César (inevitável) – Nosso César Cielo ganhou mais um ouro e bateu mais um recorde. Orgulho nacional, sem precisar viver nos holofotes, que outros tem de sobra, até pelo fato da Natação não ter tanta projeção na mídia, apesar do esforço que nossos atletas fazem por anos e anos, para decidir em poucos segundos toda uma vida de treinos. Eu, que já nadei um bocado nos tempos de natação e depois no triatlo (mas nem um centésimo do que essa turma de ouro treina), sei como é duro e até entediante ficar horas a fio na piscina. Valeu garoto!
    Abaixo, foto que tirei com ele aqui em Sampa, pouco depois que Cielo retornou da inédita conquista do Ouro nas Olimpíadas em 2008.

    IMG00004

    Cesão, rapah, nem precisava falar no meu Ironman, mas já que insistes, aqui ele :)

  • Ainda Sobre Barrichello x Button

    Posted on maio 11th, 2009 emerson 2 comments

    O Azar de Ser BrasileiroInteressante notícia (em inglês), cogita que há sim, por parta da Brawn, preferência ao Button, por ser mais novo que o piloto brasileiro. Se lá fora, na terra do Jason, eles assumem isso, aqui, infelizmente, a maioria ainda acha que o Rubens é “azarado”. Vale lembrar que o meu – e de muitos brasileiros –  ídolo maior, Ayrton Senna, sentiu o preconceito na pele, quando teve que disputar contra o Prost e o então chefão da FIA, Jean Marie Balestre, que poucos antes de morrer confessou ter ajudado o compatriota. Alguém ainda lembra?

  • Paisagens

    Posted on janeiro 15th, 2007 emerson No comments

    Paisagens – O relógio marcava cinco e trinta. À minha frente a imensidão do verde e bravio mar alencarino. Atrás, vários metros distante, a Beira-mar podia ser vista entre uma onda e outra que passava pelo meu corpo. A idéia do treino-travessia havia surgido algumas dezenas de minutos antes, a fim de aproveitar o pouco tempo vago da loucura cotidiana. E entre as vagas marinhas lá estava eu a cruzar as praias do Ideal e de Iracema, enquanto buscava margear o espigão que pontua e divide as duas praias. O percurso é pequeno para quem está acostumado a treinar para travessias: cerca de 2.200 metros. Mas o que me chamava a atenção é o espetáculo da natureza que sempre surpreende, até mesmo aqueles que já deviam ter se acostumado às paisagens incríveis que tantos treinos outdoor propiciam. O sol se punha por detrás da Ponte dos Ingleses e eu podia observar entre os vagalhões marinhos que me sacudiam o corpo cansado, toda a beleza da orla cearense, ali, numa localização privilegiada e solitária. Nesses momentos, é recomendável se reduzir o ritmo e por alguns instantes contemplar o que temos de tão indelével, ainda. A poucos metros, que pareciam zilhões de kilômetros, há uma Cidade que pulsa incessantemente, amontoada em problemas que parecem inesgotáveis. Mas a barreira imaginária entre os dois mundos parecia separar o caos daquele ponto minúsculo do atlântico, que se percebia menor ainda ante o epílogo solar. Um corpo cansado porém num repouso quase absoluto. Eu não tinha uma máquina digital naquele momento, claro. Por isso me utilizo destas vagas linhas a fim de buscar retratar os matizes quase inenarráveis daquela tarde próxima passada…
    E La nave va

  • Futebol

    Posted on abril 11th, 2006 emerson No comments

    Alvinegros – Uma homenagem às bandeiras alvinegras a tremular aqui na terra de Alencar e também pelos cantos vários desta terra brasilis, a encantar e emocionar tantos, mormente este que vos escreve:

    Em Branco-e-Preto (versão 2006)

    África faminta de pão. E nós também. Além de circo.
    A mesma massa alvinegra fotografada por Sebastião Salgado.
    Inunda as tribunas e seções, às sessões do coliseu moderno.
    Famintos de ouro que se lançam em escadas.
    Fuga do inferno da lírica Serra Pelada do tempo.
    Famintos. Famígeros em branco-e-preto de Sebastião.
    Salgados corpos inundados de alegria e dor.
    Futebol. Massa alvinegra Translúcida.
    Somos todos unos. Panis et Circensis.
    Futebol. Lúdicos que somos.
    Não há mais pão ou circo.
    Mas há alvinegros.
    Sempre!
    Ave!